quarta-feira, 2 de junho de 2010

Breve reflexão sobre paixão


Todos nós temos consciência que Deus nos ama e deseja cada vez mais ter uma maior intimidade do que aquela que temos vindo a desenvolver... Aquilo que decidi partilhar e que influencia toda a nossa vida e comunhão com Deus, bem como a nossa adoração, é acerca do amor que sentimos por Deus, e da forma como deveríamos apaixonadamente vivê-lO e experimenta-lO.
A paixão é o que faz a diferença na forma como fazemos determinadas coisas, quando fazemos apenas porque temos de fazer, a motivação não é tanta como quando temos de preparar um momento no qual sabemos que vamos estar com a pessoa que amamos, e isso muda toda a nossa predisposição para fazer mais e melhor, de forma a agradar.
Também quando amamos apaixonadamente temos um medo extremo de perder essa pessoa.
Um amor apaixonado exige sacrifícios, renúncias e negação em algumas áreas. Será que a uma relação onde não existe o mínimo gesto de negação e sacrifício mútuo podemos chamar de paixão? Deus apenas pede de nós o nosso coração e os nossos corpos e mentes purificadas.
O próprio Deus, como manifestação visível do seu amor e da sua paixão por cada um de nós, viveu uma vida de entrega, esteve disposto a passar privações, sujeito à humilhação, e cumpriu o maior sacrifício que uma pessoa pode realizar por alguém a quem ama e deseja ver bem: a morte.
A minha pergunta neste dia, é se a paixão que sentimos por Deus está a fazer a diferença na forma como levamos a nossa vida, na forma como cuidamos dos outros, na forma como O adoramos, na forma como nos apresentamos diante d'Ele? Será que Deus é o nosso maior amor? Será que como alguém que ama apaixonadamente estamos a ter medo de perder o amor de Deus na nossa vida, ou será que já tomámos por garantido a presença desse amor, e achamos que como este é incondicional (o que é um facto) não precisamos de cuidar dele, nem precisamos de alimentà-lo com gestos a cada dia..., nem precisamos de o cultivar?
O amor de Deus não morre, nem murcha, nem há nada que possamos fazer que o altere, (a palavra diz que as muitas águas não poderiam apagá-lo , Cantares 8:7) por isso me faz pensar que quando cultivamos esta relação de intimidade e paixão, não estamos a fazer com que Deus nos ame mais ou a alterar o amor d'Ele, ainda que eu acredite que possamos fazer com que Ele sinta ainda mais prazer nas nossas vidas. Acho que quando estamos dispostos a esses gestos diários, não estamos a cultivar o amor de Deus porque esse é um amor perfeito... mas sim o nosso!! que é um amor que falha, esquece, magoa, não cumpre, rejeita, e não esta disposto a fazer tudo pela pessoa que ama. E se há algo que precisamos de cultivar e de pedir a Deus que renove, é o nosso amor e paixão por Ele... Somos homens, imperfeitos e amamos com imperfeição, mas podemos pedir a Deus que nos ajude a amá-lO mais como Ele merece, e estar também cada vez mais dispostos a esses gestos de amor, que lhE permitem renovar e transformar o nosso amor.

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